Psicologia

EMDR funciona para ansiedade? Quando faz sentido (e quando não) — com Josie Conti

Se você convive com ansiedade, é provável que já tenha ouvido falar de EMDR — e tenha se perguntado se ele “serve” para o seu caso. A resposta mais útil (e mais honesta) é: pode funcionar, sim, mas depende do tipo de ansiedade, do que está por trás dela e do timing clínico.

Em muitos quadros, a ansiedade não é só preocupação: é um estado de alarme. O corpo entra na frente, acelera, antecipa, evita, se contrai, reage. E nem sempre isso se resolve apenas “pensando positivo” ou tentando controlar. Como escreve Josie Conti neste artigo:

“A pergunta não é só ‘como diminuir a ansiedade’, mas ‘que função essa ansiedade cumpre — e que história ela está tentando conter’.”

Ao longo do texto, você vai entender:

  • o que o EMDR é,

  • o que a ciência sugere sobre EMDR e sintomas de ansiedade,

  • quando ele tende a fazer mais sentido (e quando não),

  • e por que integrar EMDR com uma escuta psicodinâmica pode sustentar mudanças mais profundas.


O que é EMDR e por que ele ficou conhecido

O EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) é uma psicoterapia estruturada, organizada em fases (história e planejamento, preparação, avaliação, dessensibilização, instalação, varredura corporal, fechamento e reavaliação).

Ele ficou especialmente conhecido por seu uso em contextos de trauma e estresse pós-traumático, aparecendo com frequência em diretrizes e materiais clínicos por ser uma abordagem focada em experiências e em como elas continuam ativas no presente. Por exemplo, o U.S. Department of Veterans Affairs descreve o EMDR como uma psicoterapia focada em trauma e amplamente estudada para TEPT.

Mas a pergunta do público costuma ser outra: e para ansiedade, funciona?


O que a ciência diz sobre EMDR e ansiedade

Há uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados que concluiu que o EMDR foi eficaz para reduzir sintomas de ansiedade, além de pânico e fobias, mas também ressalta a necessidade de mais pesquisas sobre efeitos de longo prazo.

Ao mesmo tempo, quando a gente olha para diretrizes amplamente usadas especificamente para transtornos como ansiedade generalizada e pânico, o EMDR não costuma aparecer como tratamento “padrão” de primeira linha nesses documentos. A diretriz do National Institute for Health and Care Excellence para ansiedade generalizada e transtorno do pânico organiza recomendações com foco em intervenções psicológicas e farmacológicas com evidência para esses quadros, sem colocar EMDR como eixo central do manejo.

Já em diretrizes para condições relacionadas ao estresse/trauma, o EMDR aparece explicitamente como intervenção recomendada/considerada. As diretrizes da World Health Organization para “condições especificamente relacionadas ao estresse” incluem EMDR entre as opções para TEPT e quadros relacionados, ao lado de intervenções focadas no trauma.

Em português claro: EMDR não é “para toda ansiedade”, mas pode ser muito adequado para certos perfis de ansiedade, sobretudo quando ela está ligada a memórias, gatilhos e um sistema de alarme que não desliga.


Quando EMDR costuma fazer mais sentido para ansiedade

Aqui estão situações em que, clinicamente, o EMDR tende a ter melhor “encaixe” — sempre dependendo de avaliação profissional:

1) Ansiedade com gatilhos e reações automáticas
Se existem disparadores bem definidos (situações, tons de voz, lugares, sensações corporais) e a reação vem “antes do pensamento”, frequentemente há um componente de memória emocional ativa.

2) Ansiedade que parece hipervigilância
Quando a pessoa vive em alerta, escaneando riscos, antecipando ameaça, evitando situações por medo de sentir de novo.

3) Ansiedade que “não acompanha a lógica”
Você entende racionalmente, mas o corpo segue reagindo. Como o texto assinado por Josie Conti sintetiza: “Quando a ansiedade é um alarme antigo tocando no presente, a explicação vem depois da descarga. EMDR pode ajudar quando o corpo precisa atualizar o que aprendeu como perigo.”

4) Ansiedade conectada a experiências marcantes (mesmo que ‘não pareçam grandes’)
Nem sempre é um evento único; às vezes é acúmulo: críticas repetidas, imprevisibilidade afetiva, humilhação, desamparo, perdas, situações que ensinaram o organismo a ficar pronto para se defender.


Quando EMDR pode não ser a melhor primeira escolha

EMDR não é “ligar um botão de processamento”. Há cenários em que o ponto de partida costuma ser outro — ou em que é preciso preparação e estabilização antes:

  • Ansiedade muito difusa, ligada sobretudo a sobrecarga atual, exaustão, estresse contínuo, sono ruim e limites frágeis (às vezes o começo é reorganizar sustentação e reduzir pressão do contexto).

  • Pouco “chão emocional” no momento: se a pessoa está instável, com baixa tolerância a afetos, o trabalho inicial pode ser fortalecer recursos, segurança interna e regulação antes de mexer em certos conteúdos.

  • Expectativa de solução rápida: EMDR é estruturado, mas não é mágica. Quando a promessa vira “cura instantânea”, o risco é frustração e desconfiança do processo.

Aqui entra uma frase importante (também assinada por Josie Conti): “A indicação certa é parte do tratamento. O que cura não é a pressa — é a direção clínica.”


“Como” EMDR poderia ajudar na ansiedade: uma explicação sem jargão

Uma linha de pesquisa bastante discutida envolve a hipótese de memória de trabalho: ao lembrar de uma experiência (ou sensação) enquanto faz uma tarefa que “ocupa” recursos mentais, a lembrança pode perder vividez e carga emocional com o tempo, facilitando reprocessamento. Um artigo de “estado da ciência” no Journal of Traumatic Stress discute evidências e teorias atuais do EMDR, incluindo esse tipo de explicação.

Não é preciso decorar teoria para se beneficiar clinicamente. O ponto prático é: em certos casos, o que antes disparava como ameaça deixa de “grudar” com a mesma força — e isso abre espaço para escolhas menos governadas por medo.


O diferencial: EMDR com psicodinâmica (não só reduzir sintoma, mas mudar padrão)

Mesmo quando a ansiedade diminui, muitas pessoas continuam com perguntas que decidem o rumo da vida:
por que eu me sinto em risco com tanta facilidade? por que eu me culpo por sentir? por que eu repito padrões afetivos?

A psicoterapia psicodinâmica trabalha o enredo interno: história, vínculos, conflitos, defesas e repetições. E a integração com EMDR pode somar um eixo de processamento mais direto de experiências carregadas. Como Josie Conti escreve aqui: “Há ansiedades que ficam soltas no corpo, e há ansiedades que são um modo de se defender de algo mais profundo. Integrar psicodinâmica e EMDR é cuidar do processamento — e também do sentido.”


Agende com psicóloga em Socorro (SP)

Dados de contato

Psicóloga: Josie Conti — CRP: 06/66331
Endereço (consultório em Socorro – SP): Rua Padre Antônio Sampaio, 27, centro
WhatsApp: (19 9 99506332) 
E-mail: contato.contioutra@gmail.com
Atendimento: Presencial em Socorro (SP) e Online
Instagram: (@contioutra)

 

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