Pesquisadores descobriram que crianças menores de 5 anos com COVID-19 leve a moderado têm níveis muito mais altos de material genético para o vírus no nariz em comparação com crianças e adultos mais velhos. Os resultados apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias.

Os resultados, publicados na JAMA Pediatrics , apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias. A capacidade das crianças mais novas de espalhar o COVID-19 pode ter sido sub-reconhecida, dado o fechamento rápido e sustentado de escolas e creches durante a pandemia.

“Descobrimos que crianças menores de 5 anos com COVID-19 têm uma carga viral maior do que crianças mais velhas e adultos, o que pode sugerir maior transmissão, como vemos no vírus sincicial respiratório, também conhecido como RSV”, diz o principal autor Taylor Heald-Sargent, especialista em doenças infecciosas pediátricas na Lurie Children e professor assistente de pediatria na Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Isso tem implicações importantes na saúde pública, especialmente durante discussões sobre a segurança de reabrir escolas e creches”.

Dr. Heald-Sargent e colegas analisaram 145 casos de doença COVID-19 leve a moderada na primeira semana do início dos sintomas. Eles compararam a carga viral em três faixas etárias – crianças menores de 5 anos, crianças de 5 a 17 anos e adultos de 18 a 65 anos.

“Nosso estudo não foi projetado para provar que as crianças mais jovens espalham o COVID-19 tanto quanto os adultos, mas é uma possibilidade”, diz o Dr. Heald-Sargent. “Precisamos levar isso em conta nos esforços para reduzir a transmissão, à medida que continuamos a aprender mais sobre esse vírus”.

Presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi também destaca que “muitas vezes o RNA reflete um vírus que não é viável para infecção”, sugerindo cautela com os resultados obtidos via PCR. Ele também aponta que não se pode ignorar os vários estudos que vêm minimizando a função das crianças como vetores da covid-19.

“Quando você vai para o mundo real, os estudos que tentam investigar o papel das crianças na transmissão são praticamente unânimes em destacar que crianças (abaixo de 10 anos) têm desempenhado um papel menos relevante na transmissão. Eles mostram que obviamente as crianças podem transmitir, mas são os adultos jovens os principais vetores de transmissão”, diz Sáfadi, professor de infectologia e pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Fontes: G1 / BBC / Science Daily / Créditos da imagem de capa: Pixabay-Adalhelma 

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Revista Saber é Saúde
Ter saber é ter saúde.