Em um novo estudo feito com camundongos, exercícios aeróbicos conseguiram retardar o crescimento de tumores de mama e tornaram esse tipo de câncer mais sensível à quimioterapia. Os resultados aumentam as possibilidades de considerar que os exercícios podem mudar a biologia de alguns tumores malignos, tornando-os mais facilmente tratáveis.

Médicos e cientistas já sabiam que tumores sólidos podem criar um ecossistema próprio e peculiar no organismo. Conforme o tumor cresce, manda sinais bioquímicos que levam à criação de vasos sanguíneos extras para propiciar sua expansão com mais oxigênio. Oxigênio é, é claro, importante para a saúde das células, inclusive em tecidos normais. Mas em alguns tumores, esses vasos sanguíneos começam a se proliferar de forma desordenada em emaranhados que acabam por reduzir o suprimento de oxigênio para o tumor, diz Mark Dewhirst, professor de radiologia oncológica na Escola de Medicina da Universidade de Duke e autor do novo estudo. Como resultado, o tumor fica hipóxico, o que acontece em um ambiente com pouco oxigênio.

Infelizmente, a hipóxia pode também tornar os tumores relativamente impermeáveis ao tratamento, já que as drogas da quimioterapia e da radiação trabalham melhor em conjunto com o oxigênio. “É um mau sinal da perspectiva clínica quando um tumor é hipóxico”, diz Dewhirst. Durante anos, o pesquisador busca maneiras de aumentar o fluxo de oxigênio para os tumores, testando em animais e pessoas substâncias que alteram os sinais bioquímicos dos tumores e levam a um crescimento mais lento dos vasos sanguíneos ligados ao tumor e reduzem a hipóxia. Mas nem sempre isso acontece e o tumor volta a crescer.

Dewhirst e seus colegas do Hospital Geral de Massachusetts em Boston e do Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering em Nova York começaram a considerar os exercícios como uma possibilidade, já que a atividade aeróbica aumenta o fluxo de oxigênio em tecidos irrigados.

O estudo, publicado no “Journal of the National Cancer Institute” testou formalmente o exercício como uma maneira de alterar a hipóxia do tumor. Os pesquisadores implantaram células com tumor de mama em fêmeas de camundongos e dividiram os roedores em dois grupos: um permaneceu sedentário depois da cirurgia e outro começou a correr na gaiola. Nos dois grupos o tumor cresceu, mas o crescimento foi significativamente mais lento nos corredores. Testes adicionais mostraram ainda que os vasos sanguíneos que alimentavam os tumores nesses roedores eram mais saudáveis do que em camundongos sedentários. Como resultado, o tumor dos corredores era menos hipóxico.

Depois, usando um outro grupo de roedores com câncer de mama, os cientistas mantiveram um quarto dos animais sedentários e outro um quarto correndo na gaiola. Um terceiro grupo recebeu uma droga usada em quimioterapia e permaneceu sedentário. E um quatro grupo fez exercícios e tomou o medicamento. Após 12 dias, o câncer dos roedores sedentários estava maior e hipóxico. O crescimento do tumor foi mais lento tanto no grupo que se exercitou quanto no grupo que tomou o medicamento para a quimioterapia. Já o grupo que combinou exercícios e medicamento teve os melhores resultados, com os menores tumores.

Fonte: Portal O Globo / via UniFarma

Créditos da foto: Bruce Mars






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