Via Jornal da USP
A pneumonia silenciosa, um quadro específico de infecção por covid-19, deixa o diagnóstico mais difícil e aumenta os riscos da doença. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), comenta essa linha de ação do novo coronavírus.
Algumas pessoas atingidas pela covid-19, felizmente uma minoria, têm tido uma evolução rápida e assintomática da doença. O demonstrativo mais marcante da presença do vírus, a falta de ar, neste tipo de caso, simplesmente demora a se manifestar. Porém, quando os sintomas aparecem, a ação do agente infeccioso no sistema respiratório já está bastante avançada. Chama-se este quadro de pneumonia silenciosa.
A resposta do organismo ao coronavírus ainda é pouco conhecida, segundo o pneumologista do Incor, e varia de acordo com alguns fatores: “Carga genética, que modula resposta imune, virulência e condição prévia do sistema respiratório do indivíduo”. Dependendo desses aspectos, haverá manifestação clínica — “a clássica é a diminuição da função dos pulmões”, aponta Carvalho.
Em termos práticos, a partir do momento em que o sistema respiratório é atingido, os órgãos passam a receber menos oxigênio. A consequência é que, devido à insuficiente oxigenação sanguínea, o paciente sente falta de ar. Porém, existe um limiar a partir do qual a manifestação clínica acontece — ou seja, a pessoa percebe os sintomas. Então, o que pode ocorrer são pequenas inflamações que, aos poucos, comprometem o sistema respiratório, sem que o indivíduo perceba, até o momento em que o quadro dá um salto e o paciente tem uma piora significativa.
Para prevenir o problema, em um momento de isolamento social em que o sedentarismo coloca as pessoas em situação de pouco “estresse respiratório”, o professor indica a prática de atividades físicas. Realizar esforço corporal é uma forma de testar os pulmões, colocando-os nessa tal situação de estresse, o que possibilita analisar se há comprometimento do sistema a partir de evidências de insuficiência durante a atividade.
Ouça a entrevista no site do Jornal da USP
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