O Gabão está em uma posição de liderança mundial quando se trata de proteger os oceanos, dizem especialistas.

O país na costa oeste da África fornece um plano que pode ser usado em muitas outras nações, de acordo com um novo artigo compilado por formuladores de políticas e pesquisadores gaboneses da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

A rede de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) do Gabão é muito singular. Desde que anunciou sua nova rede de AMPs em 2014, o país criou 20 áreas protegidas – aumentando a proteção das águas gabonesas de menos de 1% para 26%.

As AMPs são áreas protegidas de mares, oceanos, estuários ou Grandes Lagos. Eles restringem a atividade humana para fins de conservação, geralmente para preservar recursos naturais ou culturais.

A cobertura global de AMP ainda não atinge a meta de 10% estabelecida em 2010, em parte devido ao progresso limitado em muitos países de baixa e média renda.

Foi originalmente acordado pelas Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica há doze anos e também foi adotado pelos estados membros das Nações Unidas como parte do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14.

Então, o que o Gabão está fazendo de diferente?

Apenas alguns países – incluindo o Gabão – cumpriram ou excederam os compromissos internacionais em terra e mar.

“A ação coletiva acelerou o progresso e o país agora se comprometeu com a promessa 30×30 de proteger 30% de seus oceanos até 2030”, explica Emma Stokes, Diretora Regional da Wildlife Conservation Society para a África Central e Golfo da Guiné.

“Essa vontade política e engajamento de longo prazo foram vitais – criando um ‘ponto de inflexão’ para uma mudança efetiva”.

As AMPs do Gabão formam uma rede interconectada adaptada para proteger habitats importantes, bem como populações globalmente importantes de tartarugas marinhas e mamíferos marinhos. As zonas protegidas se estendem de norte a sul e das águas costeiras até 200 milhas náuticas da costa.

O novo artigo argumenta que as lições do Gabão podem ser usadas para informar os compromissos e a implementação global de biodiversidade pós-2020.

Sugere uma abordagem de quatro etapas para países e doadores:

• Os governos devem construir e manter sua capacidade de pesquisa e implementação, garantindo que as evidências científicas sustentem as decisões políticas.

• Os países devem fazer promessas públicas sobre metas de conservação marinha, sinalizando seu compromisso com a comunidade internacional e potenciais doadores.

• A comunidade conservacionista deve responder ajudando a criar ou fortalecer as agências ambientais do país diretamente ou, se as salvaguardas financeiras forem fracas, por meio de organizações internacionais.

• Cada agência de implementação deve liderar o desenvolvimento de estruturas nacionais de conservação marinha, trabalhando com as partes interessadas e doadores para produzir planos ambiciosos, mas politicamente viáveis.

“O Gabão deu passos significativos para garantir a persistência a longo prazo de sua biodiversidade marinha e recursos pesqueiros, e deve ser celebrado como um exemplo global”, diz o professor Brendan Godley da Universidade de Exeter.

Fonte: Africa News

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