O sistema de saúde do estado de São Paulo pode colapsar em 25 dias com o atual ritmo de avanço da pandemia e criação de novos leitos. Isso é, o total de pacientes necessitando assistência em UTIs será maior do que a quantidade de leitos em menos de um mês.

Esse cálculo foi feito pela matemática Simone Batista, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e doutora em engenharia de sistemas pela Poli-USP a pedido do G1, considerando a média de criação de novos leitos e o crescimento na ocupação desses equipamentos.

Segundo a matemática, o esgotamento pode ocorrer em menos tempo caso o ritmo seja o mesmo que foi verificado nos últimos três dias. Nesse caso, o colapso pode ocorrer em cerca de 20 dias.

“Eu acho que a principal variável é a política, porque o governo do estado é capaz de abrir leitos, a cidade de São Paulo chegou a ter três hospitais de campanha, mas daí teria que avaliar em termos de profissionais disponíveis”, disse Simone.

Segundo o médico Márcio Sommer Bittencourt, pesquisador do Hospital Universitário da USP, o colapso do sistema de saúde pode ocorrer antes que o total de leitos ocupados supere o total de leitos criados no estado.

“Na verdade, a gente já está meio em colapso, porque já tem muito lugar que tá sem leito, já tem muita fila de espera para leito, já tem muita gente que não tá sendo adequadamente atendido. A situação já é muito complicada, independe do número”, disse.
“O colapso para mim se dá quando você não consegue dar uma assistência adequada para as pessoas, e a gente já está fazendo isso”, completou.

Ainda de acordo com o G1, ao menos 38 pacientes morreram na fila de espera por leitos de UTI no estado de São Paulo no mês de março.

Nesta quarta-feira (10), o secretário da Saúde de São Paulo reconheceu que a abertura de novos leitos de UTI não é uma medida capaz de, sozinha, conter o avanço da pandemia no estado.

“Ampliamos leitos e continuaremos a ampliar leitos, mas nós não daremos conta de abrir mais. Eu vou repetir: nós não daremos mais conta de abrir mais leitos. Precisamos da ajuda de todos. Precisamos que todos fiquem em casa e só saiam em condições de absoluta necessidade, que usem máscaras, que evitem as aglomerações. Nos ajudem para que, dessa maneira, possamos ajudar a todos”, disse Jean Gorinchteyn.

As informações são do G1

 

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