Saúde da Mulher

Testada em animais, nova estratégia se mostra promissora para tratar câncer de mama

Por: Henrique Fontes / Jornal da USP

Nova estratégia desenvolvida por cientistas da USP e de Harvard se mostrou seis vezes mais eficiente em camundongos para tratar o tipo mais agressivo da doença em comparação com a terapia convencional

O Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP e a Faculdade de Medicina de Harvard, dos EUA, se uniram na busca por tratamentos mais eficientes contra o tipo mais agressivo de câncer de mama, o triplo-negativo.

Os cientistas propuseram uma nova estratégia que poderá resultar na diminuição dos tumores de forma mais rápida e reduzir os efeitos colaterais gerados aos pacientes pela quimioterapia. O trabalho foi publicado recentemente na Science Signaling, revista científica internacional da área de sinalização celular, distribuída pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

Diferentemente do tratamento convencional em que a quimioterapia é aplicada como primeiro e um dos únicos recursos, a proposta idealizada pelos pesquisadores envolve uma etapa prévia, que enfraquece as células tumorais antes que elas sejam tratadas com os quimioterápicos.

O objetivo é que elas apresentem uma resistência menor e morram mais rápido. Para isso, o pós-doutorando do IQSC e um dos autores da pesquisa, Vinícius Guimarães Ferreira, avaliou 192 compostos químicos que poderiam ser capazes de “debilitar” as células cancerígenas de forma seletiva, ou seja, sem prejudicar as saudáveis.

Para encontrar a “molécula ideal”, o cientista testou todas as substâncias contra as células doentes com ajuda de uma impressora de compostos químicos capaz de aplicá-los sobre as células de forma automática, a partir de comandos previamente definidos pelos pesquisadores. Posteriormente, as células foram colocadas em um outro aparelho que avaliou o quão enfraquecidas elas ficaram.

Vinicius, então, analisou e interpretou os resultados até identificar o composto que melhor atendia a seus objetivos, ou seja, o que deixou as células mais próximas da morte. Isso foi medido, resumidamente, pela quantidade de proteínas (citocromo c) que elas perderam após receber a ação dos compostos, indicando qual o grau de vulnerabilidade das células.

Depois dessa etapa, a molécula selecionada pelo cientista foi utilizada para o tratamento de camundongos com câncer de mama por 21 dias, intercalando com sessões de quimioterapia.

Os resultados foram animadores: “Utilizando apenas o quimioterápico para tratar os animais, o tumor teve uma redução de 10% em seu tamanho. Já com o tratamento combinado, o tumor diminuiu 60% no mesmo período, ou seja, a terapia foi seis vezes mais eficiente ou, então, 500% mais eficaz”, revela o cientista, que teve sua pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizou intercâmbio em Harvard por um ano na época em que cursava seu doutorado no IQSC. Na universidade norte-americana, Vinícius foi supervisionado pelo professor Anthony Letai, especialista na avaliação de mecanismos que levam as células tumorais à morte.

Pelo fato de proporcionar um resultado mais eficiente contra o tumor, a nova proposta de tratamento poderá permitir que os pacientes sofram menos com os efeitos colaterais gerados pelos medicamentos altamente tóxicos que são administrados na quimioterapia: “Com as células cancerígenas intactas, o quimioterápico levaria um tempo maior para matá-las, gerando mais reações adversas aos pacientes, que provavelmente precisariam passar por mais sessões.

Já com a nossa proposta, a partir do momento em que nós temos células tumorais sensibilizadas previamente, a efetividade do quimioterápico aumenta e sua toxicidade para as células saudáveis diminui”, explica o professor e diretor do IQSC, Emanuel Carrilho, que orientou Vinicius durante o trabalho e também assina o artigo publicado.

Por: Henrique Fontes / Jornal da USP

Revista Saber é Saúde

Ter saber é ter saúde.

Share
Published by
Revista Saber é Saúde

Recent Posts

A isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas com doenças graves ou doença profissional

A isenção do Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão para pessoas…

2 dias ago

Sim, a cegueira, mesmo monofocal, dá direito à isenção do Imposto de Renda a aposentados, reformados e pensionistas

Por Nara Rúbia Ribeiro A isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas portadores…

4 dias ago

Você sabia que quem tem cardiopatia grave é isento do Imposto de Renda se for aposentado, reformado ou pensionista?

Por Nara Rúbia Ribeiro A cardiopatia grave é uma das condições expressamente listadas na Lei…

4 dias ago

A “alienação mental” dá direito à Isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas

Por Nara Rúbia Ribeiro A "alienação mental" é uma das condições previstas na Lei nº…

4 dias ago

Que doenças graves dão direito à isenção do Imposto de Renda? Entenda o seu direito

Por Nara Rúbia Ribeiro É interessante como muitos direitos parecem estar "escondidos" da população brasileira.…

4 dias ago

EMDR funciona para ansiedade? Quando faz sentido (e quando não) — com Josie Conti

Se você convive com ansiedade, é provável que já tenha ouvido falar de EMDR —…

2 meses ago