Pacientes com coronavírus declarados recuperados que mais tarde testam positivo para a doença ainda estão expelindo células pulmonares mortas em vez de contrair uma nova infecção, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) à AFP na quarta-feira.

As autoridades de saúde sul-coreanas relataram mais de 100 casos em abril, levantando preocupações de que os pacientes que se recuperaram pudessem ser infectados novamente.

“Estamos cientes de que alguns pacientes são positivos depois de se recuperarem clinicamente”, disse um porta-voz da OMS à AFP, sem fazer referência específica aos casos sul-coreanos.

“Pelo que sabemos atualmente – e isso é baseado em dados muito recentes – parece que esses pacientes estão expulsando os materiais que sobraram dos pulmões, como parte da fase de recuperação”.

As pessoas infectadas com o novo coronavírus desenvolvem anticorpos a partir de uma semana ou mais após a infecção ou o aparecimento dos sintomas, segundo a pesquisa.

Mas ainda não está claro, dizem os especialistas, se o corpo acumula sistematicamente imunidade suficiente para impedir um novo ataque do vírus ou, se o fizer, quanto tempo dura essa imunidade.

Quanto aos pacientes recuperados que testaram negativo e, semanas depois, positivo, são necessárias mais pesquisas, segundo a OMS.

“Precisamos de uma coleta sistemática de amostras de pacientes recuperados para entender melhor por quanto tempo eles perdem o vírus vivo”, disse o porta-voz.

“Também precisamos entender se isso significa que eles podem transmitir o vírus para outras pessoas – ter vírus vivo não significa necessariamente que pode ser transmitido para outra pessoa”.

Em recente entrevista à BBC, a epidemiologista de doenças infecciosas Maria Van Kerhove, parte do Programa de Emergências em Saúde da OMS, explicou o cenário das “células mortas”.

“À medida que os pulmões curam, há partes do pulmão que são células mortas que estão surgindo. Estes são fragmentos dos pulmões que estão realmente com resultados positivos”, disse ela.

“Não é vírus infeccioso, não é reativação. Na verdade, faz parte do processo de cicatrização”.

“Isso significa que eles têm imunidade? Isso significa que eles têm uma forte proteção contra a reinfecção? Ainda não sabemos a resposta para isso.”

Para alguns vírus, como o sarampo, aqueles que o contraem ficam imunes à vida.

Para outros coronavírus, como a SARS, a imunidade durou de alguns meses a alguns anos.

A pandemia já matou mais de 257.000 pessoas em todo o mundo e infectou oficialmente quase 3,7 milhões, embora com apenas os casos mais graves sendo testados, o número seja muito maior.

Fonte: Science Alert

Crédito da imagem de capa: Kay Lau

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